Mulheres da Paz recebem aula de cidadania.
Segunda-feira (15) foi uma data especial para as 50 mulheres integrantes do projeto Mulheres da Paz, desenvolvido pela Prefeitura de São José dos Pinhais em parceria com o Governo Federal. A socióloga especialista em cidadania, direitos humanos e participação social das mulheres, Rita de Cássia Lima Andréa ministrou capacitação e oficinas que colaboraram para que as mulheres percebam cada vez mais a sua importância na mudança da realidade em que vivem.
Para Rita de Cássia, a mulher desempenha um papel de suma importância na construção da paz em sua comunidade, apesar da violência de gênero. “Apenas por sermos mulheres, estamos sujeitas à violência de gênero, que inclui violência psicológica, física e moral, dentro e fora de nossas casas”, detalha Rita de Cássia. Entretanto, a socióloga aponta o dado de que aproximadamente um terço das famílias brasileiras é chefiado por mulheres, o que representa um quadro de mudança. “A nossa cultura machista precisa aos poucos ser desconstruída, é necessária a valorização da mulher nos espaços comunitários”, completa.
Para a gestora municipal das Mulheres da Paz, Cleusa Silva, a capacitação e a formação continuada para cidadania são essenciais para o trabalho das agentes no que se refere a sua atuação em campo. “Elas são agentes muito importantes no resgate e reinserção social em comunidades vulneráveis”, finaliza Cleusa. O Mulheres da Paz faz parte do projeto Territórios de Paz, que integra o Programa Nacional de Segurança Pública e Cidadania (Pronasci), e tem como foco os jovens de 15 a 24 anos, buscando evitar a marginalidade, com ações sociais e de segurança.
Segundo Alexsandro da Silva, agente da Justiça Comunitária, o projeto representa uma oportunidade de participar ativamente da comunidade e fazer as coisas acontecerem. “Em sua maioria, os grupos da Justiça Comunitária são formados por mulheres, e é nisso que vemos o engajamento da mulher na luta por um mundo melhor”, afirma. O Justiça Comunitária também integra o Pronasci e é executado pela Prefeitura de São José dos Pinhais em parceria com o Ministério da Justiça, dentro do programa Territórios da Paz. O projeto visa prevenir e solucionar pequenos conflitos na comunidade, evitando que se tornem conflitos violentos ou que terminem em desavença judicial.
O guarda municipal Áderson Bissoli lembrou a importância do papel das Mulheres da Paz no programa Protejo (Proteção de Jovens em Território Vulnerável), também integrante do Pronasci. De acordo com Bissoli, as Mulheres da Paz serão responsáveis pela busca e identificação dos 240 jovens no Território da Paz, que inclui as regiões do Guatupê e Borda do Campo. “Esses jovens, em situação de vulnerabilidade social, passarão por 12 meses de oficinas de capacitação, formação, cidadania e inclusão digital, totalizando 800 horas”, explica Bissoli.
Rita de Cássia Lima Andréa: "A construção da paz acontece a partir de ações colaborativas"
A socióloga Rita de Cássia afirma que a construção da paz acontece a partir de ações colaborativas, relembrando conquistas para as mulheres como a Lei Maria da Penha e as Delegacias da Mulher. “A Lei Maria da Penha, que já existe há 5 anos e foi pioneira, foi uma construção dos movimentos sociais, assim como as Delegacias da Mulher, que surgiram a partir de mulheres que atendiam a outras que sofreram violência e não tinham atendimento adequado nas delegacias comuns”, completa.
Para a Mulher da Paz Rosângela Pereira, é necessário que cada uma das agentes leve para as famílias atendidas a mesma paz que tentam proporcionar dentro de suas próprias casas. “É necessário voz para modificar a realidade da comunidade, e nós mulheres precisamos ser essa voz”, finaliza Rosângela.
Fotos: Sílvio Ramos
Fonte: Prefeitura Municipal de São José dos Pinhais
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